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Como evitar Estrias

As
estrias, lesões de aspecto linear, por vezes deprimidas,
pruriginosas (que coçam) e com discretas rugas transversais no seu
maior eixo, são irreversíveis, posto que são cicatrizes, e como tal,
podem tornar-se imperceptíveis.
Decorrentes de alterações ocorridas nas fibras elásticas e colágenas
da pele, não escolhem alvo: podem surgir tanto em mulheres como em
homens, embora, neste último grupo, com menor freqüência.
O mecanismo de formação das estrias pode ser facilamente entendido
se imaginarmos um elástico muito esticado que quando volta ao seu
tamanho natural, apresenta-se não mais liso e sim repleto de
ondulações. O mesmo ocorre com nossa pele. Se ela esticar demais -
seja devido ao crescimento ou ao aumento de peso - as fibras
elásticas localizadas na derme (camada intermediária da pele)
rompem-se e formam um “corte”, como se fosse uma ruptura do
elástico. O sangue extravasa dos capilares (vasos muito pequenos
encontrados especialmente na pele), inunda as fibras rompidas,
provocando uma microequimose (pequena coleção de sangue) que se
reflete imediatamente na pele, em forma de vergão avermelhado. Os
tratamentos iniciados nesta fase podem melhorar a aparência final
das estrias, principalmente das menores, conforme a condição da
pele. A reação do organismo à lesão faz com que as estrias fiquem
mais longas, largas e escuras com o passar do tempo, ganhando um tom
arroxeado. Nesta etapa as possibilidades de obter bons resultados
com os tratamentos são altas.
Incidência
Quanto ao sexo, atingem, segundo a literatura médica, mais as
mulheres (60%) que os homens (40%) e costumam surgir principalmente
na adolescência (puberdade) e na gravidez, com pico de maior
prevalência entre 14 e 20 anos. Não é comum após os 45 anos, porém
com o advento da reposição hormonal, especialmente o uso de
anabolizantes de maneira indiscriminada, as temidas estrias
atualmente são vistas em qualquer faixa etária, etnia ou parte do
corpo.
Com este aumento de incidência generalizada, erroneamente as estrias
são muitas vezes consideradas “normais e inevitáveis”, e apesar de
serem uma das queixas mais freqüentes em consultórios médicos e
centros de estética, frequentemente são banalizadas e irrelevantes
para muitos profissionais. Estes, por sua vez, treinados para tratar
“doenças” se esquecem que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),
“saúde é o bem estar físico, orgânico e psicológico do indivíduo”.
Atualmente, qualquer detalhe pode alterar profundamente a
auto-imagem corporal, podendo acarretar em sérios danos
psicológicos, excluindo, por exemplo adolescentes de atividades que
exponham seu estigma, ou impedindo que se use roupas cavadas ou
mesmo trajes de banho, alterando completamente a socialização do
indíviduo.
Os
locais onde mais aparecem em mulheres são nádegas, abdome e mamas.
Nos homens preferem costas, região lateral de coxas e região lombar.
As estrias dos ombros, costas e atrás dos joelhos surgem normalmente
na adolescência devido ao crescimento repentino que provoca
distensão mecânica. O mesmo mecanismo explica, nas grávidas, aquelas
que aparecem no abdome (crescimento uterino) e nas mamas.
As estrias são geralmente mais compridas que largas, mas há casos em
que as mesmas atingem larguras tão assustadoras quanto 5cm.
Causas
As estrias podem ser desencadeadas por vários fatores, todos, em
última análise concorrendo para a fragmentação das fibras elásticas
e colágenas. Entre eles, destacam-se:
.
Obesidade
Rápidos aumentos de peso e estatura contribuem para o estiramento da
pele, fato bem exemplificado na adolescência, no chamado "estirão do
crescimento".
.
Corticóides
O uso sistêmico de corticosteróides sabidamente contribuem para o
aparecimento de estrias, porém mesmo quando o uso é tópico, por
longo período, em extensas áreas de pele ou com corticóides de alta
potência, o resultado é o mesmo. O uso em áreas de dobras de pele
(áreas intertriginosas) e a oclusão potencializam o dano por
aumentar a penetração do produto.
.
Exercícios Físicos e/ou Complementos Nutricionais
O exagero na realização de exercícios físicos (musculação) e uso de
"complementos nutricionais", hormônios e estimulantes no intuito de
ganhar massa muscular acabam por estimular o estiramento das fibras
e dano mais sérios e até irreversíveis na saúde.
.
Sedentarismo
Pessoas sedentárias também apresentam maior predisposição para esse
tipo de lesão na pele. A falta de exercícios cotidianos como uma
simples caminhada ou a subida de degraus pode prejudicar a
circulação sangüínea. Os problemas de circulação prejudicam a
vitalidade da pele e atrapalham a manutenção da sua elasticidade.
Evolução
As estrias, ao longo do tempo, podem apresentar modificações em
suas características que correspodem a um ou outro aspecto
histológico, próprio da fase em que se encontra, podendo assim serem
classificadas:
.
Rosadas ou Iniciais
Predomina o caráter inflamatório onde, por transparência, vê-se a
coloração róseo-avermelhada dos vasos sangüíneos dérmicos. Pelo
mesmo motivo, pode surgir edema local justificando a tumefação e o
prurido desta fase.
.
Atróficas
Nesta fase já observamos uma estria com depressão central e
hipocromia. porém com anexos da pele ainda preservados (pêlos,
glândulas sudoríparas e sebáceas).
.
Nacaradas
Entre um e dois anos, as estrias ganham uma coloração esbranquiçada,
sinal de que a pele original foi substituída por um tecido fibroso.
O aspecto é de uma cicatriz mais espessa e profunda.A melanina,
pigmento que dá cor à pele, é eliminada. A partir desta última
etapa, os tratamentos não são tão eficazes. Mesmo assim, é possível
melhorar a aparência da estria, deixando-a mais estreita e
diminuindo sua depressão.
Como
evitar
O surgimento das estrias depende de uma tendência pessoal. Algumas
pessoas as desenvolvem mesmo com pouca distensão da pele e outras
não desenvolvem estrias nem na gravidez, quando a distensão da pele
é muito grande. De qualquer forma, recomenda-se a hidratação intensa
da pele com cremes e loções hidratantes para tentar evitá-las,
principalmente em pessoas com histórico familiar de estrias.
Nutrientes tópicos (em cremes, géis e loções) como Ácido gama
linolêico, Ácido linolêico, AE complex, Alntoína, Ascarbosilane,
Biodynes, Ceramida, Colesterol escina, D Pantenol, EDTA, Óleo de
abacate, Óleo de amêndoas, Óleo de prímula, Óleo de rosa mosqueta,
Óleo de uva, Óleo pecan, Óxido de cromo, PCA-Zn, Tirosilane C, Uréia
, Vitamina F, novos ativos à base de soja, são vastamente
utilizados, com resultados preventivos relevantes.
Deve-se beber pelo menos 8 copos grandes de água por dia (2 litros)
e evitar engordar demais e rapidamente, eliminando doces e gorduras
da dieta e praticando exercícios físicos regularmente.
Nos rapazes, a fase do "estirão" pode causar estrias horizontais no
dorso do tronco. O uso de hormônios especilamente anabolizantes,
deve ser completamente abolido caso a orientação médica não seja
precisa. A proposta de hidratar o corpo por dentro e por fora é a
base da prevenção, além de não fumar, ingerir alimentos ricos em
vitamina C. Dietas e “efeito sanfona” de engordar e emagrecer são
decisivas no aparecimento das estrias, e não podemos esquecer que
exercícios muito vigorosos com subseqüente aumento abrupto da massa
muscular também são maneiras de “romper o elástico” .
Tratamentos
Os fatores fundamentais que influem decisivamente nos
tratamentos terapêuticos são vários, e podem ser didaticamente
divididos da seguinte forma por alguns autores :
• Moleculares • Hormonais • Etiopatogênicos •
Histopatológicos • Bioquímicos
Os
fatores moleculares abordam eventos intra e extracelulares, que
garantem a organização das fibras elásticas e colágenas
Do ponto de vista etiopatogênico o aparecimento das estrias depende
da predisposição genética, de fatores mecânicos e biológicos.
As
alterações endócrinas, já mencionadas, apesar de não tão freqüentes,
é um dos fatores que mais dificulta o tratamento, visto que produz
estrias atípicas.
Devemos lembrar que alguns autores consideram as estrias como uma
cicatriz subepidérmica e que possivelmente durante o nascimento das
estrias seriam liberadas substâncias produzidas pela degradação das
fibras elásticas e colágenas, revelando uma alteração profunda de
componentes bioquímicos da pele.
O
“retorno ao passado”, e “pele como era antes”, são mitos que devem
ser abolidos de propostas terapêuticas para qualquer alteração de
pele (ou da saúde). Os tratamentos visam melhorar o aspecto das
lesões, estimulando a formação de tecido colágeno subjacente e
tornando-as mais semelhantes à pele ao redor, muitas vezes
tornando-as imperceptíveis. Para isso várias técnicas podem ser
empregadas, entre elas:
•
Tratamento com ácidos: alguns tipos de ácidos, especialmente o
ácido retinóico, estimulam a formação de colágeno, melhorando o
aspecto das estrias, quanto à textura e coloração. Pode haver
descamação e vermelhidão e a concentração ideal para cada caso deve
ser definida pelo dermatologista, de acordo com o tipo de pele. Deve
ser evitada a exposição solar.
• Peelings: os peelings tem a mesma ação dos ácidos, no
entanto, de uma forma mais acelerada e intensa, geralmente levando a
um melhor resultado, já que a descamação forçada aumenta a
penetração dos ativos empregados e renova rapidamente as camdas
superficias da pele. Também deve ser evitada a exposição solar.
• Subcisão (“subcision®”): esta técnica consiste na
introdução de uma agulha grossa, com ponta cortante, ao longo e por
baixo da estria, com movimentos de ida e volta. O trauma causado
leva à formação de tecido colágeno no local, que preenche a área
onde o tecido estava degenerado. Provoca equimose (mancha roxa) e
hematoma (coleção de sague), que faz parte do tratamento, pois a
reorganização do sangue também dá origem à neoformação de colágeno.
• Dermoabrasão: o lixamento das estrias provoca reação
semelhante à dos peelings, com formação de colágeno mas com a
vantagem de regularizar a superfície da pele, que ganha mais
uniformidade, ficando mais semelhante à pele ao redor. Porém, se for
realizado profundamente, removendo a epiderme, pode deixer
alterações de coloração irreversíveis muitas vezes sem melhorar o
aspecto das estrias. As Microdermoabrasões, chamadas assim por serem
superficiais, ou os “peelings de cristal” são seguras, apesar de
menos eficazes.
• Intradermoterapia: consiste na injeção ao longo e sob as
estrias de substâncias que provocam uma reação do organismo
estimulando também a formação de colágeno nas áreas onde as fibras
se degeneraram. Além disso, a própria passagem da agulha provoca uma
discreta subcisão, citada anteriormente. Vitamina C, centelha
asiática e gingko biloba são alguns dos componentes utilizados
Estes são procedimentos médicos e apenas os médicos devem
realizá-los, indicando o que for melhor de acordo com cada caso. Os
melhores resultados costumam aparecer com a associação de mais de um
método.
•
Os sistemas de luz amplificada (LASER) e os sistemas de luz pulsada
(LIP) não-ablativos agem estimulando a formação de colágeno e
renovando a pele, além de, por atuarem em vasos, melhorarem a
coloração especialmente em estrias violáceas. Na forma de um feixe
de luz pulsada ou com apenas um comprimento de onda, o LASER ou o
LIP atravessam a epiderme, camada superficial da pele, sem
queimá-la. Ao atingir a derme (região preenchida por colágeno e
elastina, as fibras que dão firmeza à pele), ele provoca um
aquecimento que remodela essa camada da pele, estimulando a produção
de colágeno novo, degradação de colágeno antigo, reorganização dos
feixes de todas as fibras e o preenchimento das lacunas (atrofia)
formados pelas estrias.
•
A maquiagem pode ser muito útil para diminuir o constrangimento
de expor as estrias em situações de exposição como em praias,
piscinas e fotos.
Bases líquida com tons levemente bronzeado, à prova dágua, para
aderir bem e não sujar a roupa. Também o uso de autobronzeadores,
que deixam a pele mais escura, podem diminuir o contraste entre a
cor da pele e a cor das marcas.
Existem diversos tratamentos eficientes contra as estrias. Porém, na
opinião da maioria dos especialistas, não adianta investir em apenas
uma dessas técnicas. Os melhores resultados são obtidos com a
associação de métodos diferentes. As sessões, de qualquer um dos
tratamentos, isolados ou combinados, em geral são múltiplas e
seqüenciais, porém dependem muito da resposta de cada indíviduo.